segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Kassab diz que Serra fez registro "correto e oportuno" do confronto entre polícias

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), saiu nesta segunda-feira em defesa do governador José Serra (PSDB) e disse que ele fez um "registro correto" sobre a participação de líderes sindicais e integrantes do PT no confronto entre policiais civis e militares, na semana passada. O protesto dos grevistas, que aconteceu próximo ao Palácio Bandeirantes, acabou em violência , com 29 pessoas feridas. Na ocasião, Serra acusou o PT de usar a greve para influenciar a disputa eleitoral na cidade.
Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem
Kassab e o secretário de Transportes vistoriam obras do Expresso Tiradentes
Kassab e o secretário de Transportes vistoriam obras do Expresso Tiradentes

Questionado se o governador não teria sido imprudente ao atacar o PT, Kassab disse que Serra fez apenas uma constatação e lembrou a presença, no confronto, do deputado federal e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força, e do deputado estadual Roberto Felício (PT). "Serra fez um registro, que foi observado por toda a imprensa, e que foi correto e oportuno", afirmou.

As declarações do governador provocaram uma reação imediata do PT. Em campanha em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o governador cometeu uma "heresia" ao afirmar que o confronto teve motivação política. O deputado Paulinho da Força também rebateu as críticas e disse que o confronto foi provocado pela falta de diálogo.

Apesar de defender a avaliação de Serra, Kassab disse não acreditar que a greve da Polícia Civil esteja sendo usada de forma eleitoreira. Segundo ele, isso seria uma falta de espírito público por parte da campanha adversária. "Tenho dito que é muito difícil para o paulistano entender que alguém queira tirar proveito de uma crise [...]. Acredito que faltaria espírito público a qualquer candidatura que tenha como base uma crise desta dimensão", disse.

Em resposta às declarações do prefeito, o deputado estadual Roberto Felício, líder do PT na Assembléia Legislativa, afirmou que vai entrar com ação de injúria e difamação contra Kassab. Em nota, o deputado disse que Kassab não tem conhecimento sobre o assunto. "Ele está fazendo o que seu chefe mandou. É um simples ventríloquo do governador", disse.

O deputado afirmou ainda acreditar que as declarações do prefeito fazem parte de uma ofensiva do governador José Serra para evitar desgaste político com o episódio, já que Kassab não tem nada a ver com esse fato, que envolve funcionários da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. "O governador teve desgaste político e preparou uma contra-ofensiva. Não organizei greve da Polícia Civil, não fiz proposta de ação política da greve",afirmou.

Pé quente

Ao lado de secretários de governo, o prefeito Gilberto Kassab assinou nesta tarde a ordem de licitação para obras da Praça das Artes e do anexo da Biblioteca Mário de Andrade, no centro da capital.

Líder na disputa do segundo turno em São Paulo, segundo pesquisas de intenção de voto, Kassab disse que é "pé quente" e que está animado para o segundo turno. "Acho que no domingo existe muito otimismo, a avaliação do governo é muito boa", disse Kassab, citando pesquisa Datafolha, que mostra 61% dos entrevistados avaliando a atual gestão como boa ou ótima.

O prefeito, no entanto, foi cauteloso e disse que até domingo estará nas ruas para angariar votos. "O eleitor, e isso deve ser dito com muito cuidado, só vai definitivamente se manifestar no dia da eleição. Em respeito ao eleitor, vou me dedicar ao máximo nesta semana na discussão das propostas", afirmou.

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