O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, informaram nesta segunda-feira a liberação de mais recursos para o financiamento da safra 2008/2009, ajuda para o setor de construção civil e possibilidade dos bancos oficiais federais agirem mais agressivamente na concessão de crédito.
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Na área rural, para onde o governo já direcionou R$ 5,5 bilhões através de liberações do depósito compulsório, agora também aumentará a porcentagem de recursos captados pela poupança rural para o financiamento de safra. Atualmente, 65% da captação tem essa finalidade e o governo pretende aumentá-la para 70%.
Esta medida, segundo Mantega pode injetar mais R$ 2,5 bilhões no financiamento da safra. "Não há motivo para redução da safra 2008/2009, exceto por fatores fora do controle, como questões climáticas ou falta de crédito que não conseguimos detectar", afirmou.
Para a área de construção, Mantega sinalizou medidas para injetar de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões para capital de giro. "[Esse financiamento] será via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que já apresentou uma proposta, ou da Caixa [Econômica Federal] através de participação acionária das construtores", afirmou Mantega.
A ajuda para a safra deve ser oficializada ainda hoje. Para a área da construção, a proposta deve ser concluída em alguns dias.
"Estamos finalizando com a Caixa o programa de apoio ao setor de construção. Será algo entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões para evitar qualquer descontinuidade no setor de construção residencial", afirmou Luciano Coutinho, presidente do BNDES, no 4º Fórum Nacional de Sustentabilidade da Construção, em São Paulo.
Segundo Coutinho, a Caixa deverá cuidar do crédito para o capital de giro das empresas, e o BNDES por capitalizar e apoiar fusão e aquisições do setor.
"Os bancos federais foram orientados a entrar firme na expansão do crédito à pequena empresa. Afinamos a orquestra para atuar de maneira firma nas próximas semanas."
Bancos oficiais
Durante esta segunda-feira, a equipe econômica do governo realizou reuniões com os principais bancos oficiais, onde revisaram suas ações diante da crise como por exemplo a compra de carteiras de financiamento de bancos médios e pequenos.
Segundo Meirelles, agora eles devem partir para o aumento da concessão de crédito. "Os bancos oficiais estão se preparando para aumentar sua participação na concessão de crédito para capital de giro para as empresas, para pessoas físicas e consumo, e o BNDES para investimentos", afirmou.
A autoridade monetária também disse que há ainda "uma boa margem" de depósitos compulsórios para serem liberados para bancos médios caso seja necessário. O mesmo pode ser aplicado para o caso dos leilões de dólares com garantias para financiamento às exportações que começaram a ser feitos hoje.
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