As Bolsas americanas operam em alta nesta segunda-feira. Os investidores se animaram com sinais de que o ritmo dos mercados de crédito pode estar se normalizando, depois das iniciativas tomadas pelos governos de diversos países. Além disso, a queda expressiva dos preços das ações nas últimas semanas atraíram mais compradores ao mercado acionário.
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Brendan McDermid/Reuters
A Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, em inglês) sobe, com otimismo sobre crédito
A Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, em inglês) sobe, com otimismo sobre crédito
Às 16h41 (em Brasília), a Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês) estava em alta de 2,53%, indo para 9.076,27 pontos no índice Dow Jones Industrial Average, enquanto o S&P 500 subia 2,63%, indo para 965,26 pontos. A Bolsa Nasdaq estava em alta de 1,62%, indo para 1.739,04 pontos.
A redução nos juros interbancários foi vista como um sinal de confiança voltando ao sistema bancário. Com isso, os mercados de crédito podem retornar a seu ritmo normal aos poucos, o que significaria uma restauração dos níveis de empréstimos e financiamentos, reativando a economia americana. A taxa Libor (taxa de juros interbancários internacional) caiu para 4,06%.
A escassez de crédito devido ao temor dos bancos quanto aos riscos de inadimplência foi o fator que provocou perdas acentuadas nas últimas semanas. Na semana passada, a volatilidade foi tanta em Wall Street que, com poucos dias de diferença, o Dow Jones variou da pior queda em 21 anos (7,87%) para o maior ganho em pontos já visto (936,42 pontos).
O presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, disse hoje, no entanto, que a perspectiva para a economia dos EUA é de que "permaneça fraca por diversos trimestres", com o "risco de uma desaceleração acentuada". Ele disse que, nessas circunstâncias, seria apropriada a consideração de um novo plano de estímulo à economia.
A idéia já havia sido sugerida pela presidente da Câmara, Nancy Pelosi, no início deste mês. Ela disse que o país precisa de um novo pacote de estímulo à economia, de US$ 150 bilhões, aos moldes do que foi aprovado em fevereiro deste ano, de US$ 168 bilhões.
O pacote de US$ 168 bilhões ajudou a fazer a economia americana andar: o dinheiro extra favoreceu os gastos dos consumidores entre abril e julho, o que se refletiu nos dados do PIB (Produto Interno Bruto). No segundo trimestre, a economia cresceu 2,8% (ligeiramente menor que os 3,3% em um cálculo prévio). Analistas dizem, no entanto, que, sem o benefício do dinheiro extra, nos próximos trimestres o desempenho econômico americano deverá ser inferior.
"O mercado gostou do que Bernanke disse, e houve indicações de que ele deixou a porta aberta para novas ações, como cortes de juros e um novo estímulo à economia", disse à agência de notícias Associated Press (AP) o analista Ryan Larson, da Voyageur Asset Management. "E, com o crédito ficando mais fluido a passos lentos, o mercado começou a entender que isso acontecerá em um processo."
Hoje também o Fed pediu às instituições financeiras americanas que participem dos programas do governo federal para reforçar o sistema financeiro do país e restaurar a circulação normal de crédito. O apelo vem quase uma semana depois de o presidente americano, George W. Bush, ter anunciado o uso de US$ 250 bilhões para comprar ações de bancos.
"As agências reguladoras encorajam todas as instituições a utilizarem o Programa de Compra de Capital, do Departamento do Tesouro, e o Programa Temporário de Garantia de Liquidez, da FDIC [órgão garantidor dos depósitos bancários nos EUA]", diz o comunicado do Fed. A data limite para participar do programa é 14 de novembro.
Mark Lennihan/AP
Ben Bernanke, do Fed, considera apropriado novo pacote de estímulo à economia
Ben Bernanke, do Fed, considera apropriado novo pacote de estímulo à economia
Nove instituições financeiras já aceitaram participar do programa do Tesouro, lembra o comunicado. Os nove bancos seriam: seriam Goldman Sachs, Morgan Stanley, JP Morgan Chase, Bank of America, Citigroup, Wells Fargo, Bank of New York Mellon, State Street e Merrill Lynch. "Encorajamos outras instituições a tirar vantagem dos benefícios do Programa de Compra de Capital", diz o comunicado.
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