O economista Eduardo Gianetti da Fonseca advertiu nesta segunda-feira para o aumento da tributação em 2009, em decorrência do menor ritmo de crescimento da economia e, portanto, da arrecadação.
"O governo já se comprometeu a gastar o que não tem em 2009, com aumento do salário mínimo, reajuste dos servidores, programas sociais. Vai se montar um quadro que já conhecemos. O que se vai fazer? Serão criados novos tributos. O governo vai resolver o problema de caixa avançando no bolso do contribuinte", advertiu o economista.
Segundo Gianetti da Fonseca, o governo deverá garantir os gastos públicos com aumento de tributos ou votará a se endividar. 'Prepare o bolso. Mas a sociedade civil também precisa se mobilizar, como fez na CPMF", disse.
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O economista explicou que a relação entre crescimento da economia e da arrecadação é a mesma para cima e para baixo. "Quando a economia cresce, a arrecadação cresce desproporcionalmente. Essa roda gira também ao contrário. Com crescimento menor do PIB [Produto Interno Bruto], a queda também é desproporcional da arrecadação tributária."
Segundo estimativa do economista, o país não deverá repetir em 2009 o índice de crescimento de 2008 (na casa dos 5%), mas de 3% a 3,5%, com 'possibilidade de índice menor ainda'. Além de expansão menor do PIB, Gianetti da Fonseca prevê redução da massa salarial, desemprego e crédito mais caro.
Sustentabilidade
Em evento sobre sustentabilidade do setor da construção, nesta segunda-feira em São Paulo, o economista afirmou que as empresas devem enfrentar redução do capital de giros para projetos já em andamento, devido à restrição de crédito no cenário internacional e a aversão ao risco dos próprios bancos brasileiros, que têm receio de emprestar no próprio sistema interbancário.
Para Gianetti, o setor da construção tem um problema emergencial, de curso prazo. Ele defendeu a ação do governo, com bancos estatais capazes de destravar o crédito. Entre as medidas possíveis, ele apontou a criação de oferta de seguro de crédito imobiliário e a redução do compulsório que incide sobre a caderneta de poupança, que compensaria as dificuldade de captação de recursos das empresas, como no lançamento de ações.
Segundo informou o secretário extraordinário de Reformas Econômico-Fiscais do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, na Folha desta segunda-feira, ao colunista Guilherme Barros, o --assim como o setor privado-- já estuda a criação de seguro de crédito imobiliário. Conforme Appy, os estudos sobre o tema indicam para uma forma de garantir recursos para o crédito habitacional. A nova modalidade de seguro daria mais proteção ao credor contra a inadimplência. Desta forma, os financiadores poderiam reduzir juros e elevar o valor financiado dos imóveis.
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