segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Bolsas de Nova York fecham com forte alta confiantes na normalização do crédito

A Bolsa de Nova York terminou em forte alta nesta segunda-feira, influenciada pela confiança com o desbloqueio do mercado de créditos e pela perspectiva de um eventual segundo plano de reativação econômica nos Estados Unidos.

O índice Dow Jones Industrial Average (DJIA) fechou com alta de 4,61%, aos 9.260,09 pontos, O mercado Nasdaq, das empresas de tecnologia e internet, subiu 3,43%, aos 1.770,03 pontos, enquanto o S&P 500 teve alta de 4,73%, aos 985,02 pontos.

"O Dow Jones e o Nasdaq conservaram fortes lucros diante de sinais de distensão do crédito e da esperança de que os consumidores americanos possam se beneficiar de outro plano de reativação econômica", explicou Al Goldman, da Wachovia Securities.

O presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, se mostrou hoje favorável a um segundo plano de estímulo fiscal para relançar a economia. Segundo ele, a perspectiva para a economia dos EUA é de que "permaneça fraca por diversos trimestres", com o "risco de uma desaceleração acentuada".
Mark Lennihan/AP
Ben Bernanke, do Fed, considera apropriado novo pacote de estímulo à economia
Ben Bernanke, do Fed, considera apropriado novo pacote de estímulo à economia

A idéia já havia sido sugerida pela presidente da Câmara, Nancy Pelosi, no início deste mês. Ela disse que o país precisa de um novo pacote de estímulo à economia, de US$ 150 bilhões, aos moldes do que foi aprovado em fevereiro deste ano, de US$ 168 bilhões.

Além disso, os investidores se animaram com uma perspectiva de melhora no mercado de crédito, depois das iniciativas tomadas pelos governos de diversos países para financiar os bancos e seus mercados.

A redução nos juros interbancários foi vista como um sinal de confiança voltando ao sistema bancário. Com isso, os mercados de crédito podem retornar a seu ritmo normal aos poucos, o que significaria uma restauração dos níveis de empréstimos e financiamentos, reativando a economia americana. A taxa Libor (taxa de juros interbancários internacional) caiu para 4,06%.

A escassez de crédito devido ao temor dos bancos quanto aos riscos de inadimplência foi o fator que provocou perdas acentuadas nas últimas sessões. Na semana passada, a volatilidade foi tanta em Wall Street que, com poucos dias de diferença, o Dow Jones variou da pior queda em 21 anos (7,87%) para o maior ganho em pontos já visto (936,42 pontos).

Hoje também o Fed pediu às instituições financeiras americanas que participem dos programas do governo federal para reforçar o sistema financeiro do país e restaurar a circulação normal de crédito. O apelo vem quase uma semana depois de o presidente americano, George W. Bush, ter anunciado o uso de US$ 250 bilhões para comprar ações de bancos.

"As agências reguladoras encorajam todas as instituições a utilizarem o Programa de Compra de Capital, do Departamento do Tesouro, e o Programa Temporário de Garantia de Liquidez, da FDIC [órgão garantidor dos depósitos bancários nos EUA]", diz o comunicado do Fed. A data limite para participar do programa é 14 de novembro.

Nove instituições financeiras já aceitaram participar do programa do Tesouro, lembra o comunicado. Os nove bancos seriam: seriam Goldman Sachs, Morgan Stanley, JP Morgan Chase, Bank of America, Citigroup, Wells Fargo, Bank of New York Mellon, State Street e Merrill Lynch. "Encorajamos outras instituições a tirar vantagem dos benefícios do Programa de Compra de Capital", diz o comunicado.

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